Timidamente iniciadas no 10º ano, as experiências também têm passado de ano. Chegámos ao 12º!
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
O meu olhar é nítido como um girassol...
- O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
- Creio no mundo como num malmequer,
- Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Não sei quantas almas tenho...
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: «Fui eu?»
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa
sábado, 3 de novembro de 2012
Poesia Ortónima
Finalmente, mas ainda a tempo de fazerem umas consultas extra, cá vos deixo a brochura com outras poesias de Fernando Pessoa Ortónimo, para alargar as vossas experiências de leitura.
É bom lembrar que as obras de Fernando Pessoa se encontram em livro na BE. Façam-lhe uma visita.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
1 de novembro? Diz-te alguma coisa?
É o Dia de Todos os Santos.
Comemora-se em Portugal, com a ida ao cemitério rezar e colocar flores nas sepulturas dos familiares falecidos, porque no dia seguinte é o "Dia dos Fiéis Defuntos".
Na maioria das aldeias portuguesas, este dia é sinónimo de "bolos dos Santos", "castanhas e água pé“, por isso se chama o “Dia dos Bolinhos”.
É tradição as crianças saírem à rua e juntarem-se em pequenos grupos para pedir o Pão por Deus de porta em porta, recitando versos. Esta atividade é principalmente realizada nos arredores de Lisboa, relembrando o que aconteceu no dia 1 de Novembro de 1755, aquando do terramoto, em que as pessoas tiveram que pedir "pão-por-deus" nas localidades que não tinham sido atingidas pela catástrofe.
Em algumas povoações da Beira, os padrinhos oferecem aos seus afilhados um bolo, o Santoro.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
O menino de sua mãe
Letra, (adaptação do poema) de Fernando Pessoa
Música de Mafalda Veiga
Arranjo de António Ferro
disco "Pássaros do Sul" (1987)
O menino de sua mãe
No plaino abandonadoQue a morna brisa aquece,
De balas trespassado -
Duas, de lado a lado -,
Jaz morto, e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe.»
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
O menino da sua mãe
domingo, 14 de outubro de 2012
Vaga, no azul amplo solta
Letra de Fernando Pessoa
Música de Patxi Andión
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Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.
Lo que lloro es diferente
Está en el centro del alma
Mientras, en cielo silente
La nube se mece en calma
E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.
Pero al fin, lo que es llanto
En esta triste amargura,
Vive en el cielo mas alto.
En la nostalgia mas pura.
No se lo que es, ni consiento / Não sei o que é nem consinto
Al alma saberlo bien. / À alma que o saiba bem.
Visto el dolor con que miento / Visto da dor com que minto
Dolor que en mi alma es ser. / Dor que a minha alma tem
domingo, 7 de outubro de 2012
Liberdade
Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
terça-feira, 25 de setembro de 2012
O grande Fernando Pessoa
Fernando António Nogueira Pessoa, um dos grandes poetas lusos, para muitos o maior dos líricos portugueses, e do mundo.
Este documentário, da série Grandes Portugueses, é imperdível para quem quer conhecer melhor o tamanho da(s) figura(s) de Pessoa.
domingo, 23 de setembro de 2012
Outono
terça-feira, 26 de junho de 2012
Intervalo breve
Anda comigo ouvir Os Azeitonas...
. terça-feira, 5 de junho de 2012
Bailado acrobático
Ouvi dizer (cof, cof!) que os alunos da turma B andaram a fazer acrobacias. Até (ou)vi algumas.
Deixo-vos, então, um bailado acrobático, gravado no Lido, em Paris, para vos inspirar nas próximas performances.
sábado, 26 de maio de 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
Cesário Verde: poeta dos 5 sentidos
Para vos poupar a «trabalheira da procura», trouxe para aqui os quatro pequenos vídeos sobre a importância dos sentidos, das perceções sensoriais, na poesia de Cesário.
Saciem-se de luz e cor, cheiros, sons, paladares...
Saciem-se de luz e cor, cheiros, sons, paladares...
domingo, 20 de maio de 2012
Cesário Verde: o poeta-pintor

“ Pinto quadros por letras, por sinais,
Tão luminosas como as do Levante”
O vídeo de hoje é a continuação do que foi publicado na última postagem, com mais informações sobre a vida e a obra de Cesário.
É muitíssimo interessante, sobretudo pelas imagens de Lisboa e da vida antigas, nas quais podemos ver refletidas as palavras do poeta, ou vice-versa...
Clica neste link para abrir o vídeo no Youtube, onde foi publicado por Choralnet.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Cesário Verde: vida e obra
É escassa a produção videográfica no Youtube sobre o poeta que começámos a estudar.
Tirando os vídeos com a declamação ou a recriação de alguns poemas - os últimos feitos por alunos - e uma série de quatro vídeos sobre a importância dos sentidos na obra de Cesário - interessante, mas talvez excessivamente técnica - sobre a vida do poeta só encontrei um que, ainda assim, inclui uma longa exposição-apreciação sobre a obra, apresentando aspetos da biografia só no final.
Fiz-lhe um corte com o Movie-Maker e, voilá, o que verdadeiramente vos pode interessar.
O original, que se encontra aqui, inclui toda a intervenção do Professor Dionísio Vila Maior e foi publicado por Choralnet, utilizador do Youtube, a quem agradeço a partilha.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
O dia da mãe é como o Natal!
Bem sei que a efeméride foi no último domingo. Só que, nesse dia, ainda não tinha feito esta descoberta.
Fui ao "Tubes" em busca do Cesário e dei com esta preciosa série de «Um Poema por Semana» da RTP 2.
Ora como a instituição das datas disto e daquilo pouco mais é que simbólica, façam de cada dia o dia da vossa mãe. Certamente ela merece.
E mostrem-lhe o vosso afeto também com poesia. Por exemplo, com esta do poeta-professor António Gedeão.
.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
As corridas de cavalos
Hoje vamos ao cinema!
My fair Lady, diz-vos alguma coisa?
É um filme de 1964 da autoria de George Cukor, baseado na peça teatral Pigmalião de George Bernard Shaw, e protagonizado pela inesquecível Audrey Hepburn, no papel de Eliza Doolittle.
Sinopse
A ação de My Fair Lady desenrola-se em Londres, no início do séc. XX, e conta a história de Eliza Doolittle (Audrey Hepburn), uma mendiga que vende flores pelas ruas escuras da cidade.
Numa noite, Eliza conhece um culto, solteirão e misantropo professor de fonética, Henry Higgins (Rex Harrison). Este, quando ouve o horrível sotaque de Eliza, aposta com o amigo, Hugh Pickering, que é capaz de transformar a simples vendedora de flores numa dama da alta sociedade, num espaço de seis meses.
O filme relata, de forma humorada, as sucessivas tentativas de Higgins em ensinar a Eliza regras de etiqueta, gramática e dicção e o choque de personalidade entre eles, até ao ponto em que se apaixonam.
fonte: Infopédia
Para além do visionamento do vídeo, proponho-te um desafio: encontra as semelhanças e os contrastes entre as corridas de cavalos no Hipódromo de Belém, narradas no capítulo x d´Os Maias, e estas de Ascot, magnífica e caricaturalmente retratadas no filme.
Já que a cena não é legendada, deixo também a Ascot Gavotte Lyrics, que fui buscar aqui, dedicada aos "amantes" de inglês.
Everyone who should be here is here
What a smashing, positively dashing spectacle
The ascot opening day
At the gate are all the horses
Waiting for the cue to fly away
What a gripping, absolutely ripping
Moment at the ascot opening day
Pulses rushing, faces flushing
Heartbeats speed up, I have never been so keyed up
And second now they'll begin to run,
Hark a bell is ringing, they are springing forward look, it has begun
What a frenzied moment that was
Didn't they maintain an exhausting pace?
'Twas a thrilling, absolutely chilling
Running of the ascot opening race
quarta-feira, 18 de abril de 2012
O Grande Antero
Comemora-se hoje o 170º (centésimo septuagésimo) aniversário do nascimento de Antero Tarquínio de Quental.
O google português assinala a efeméride assim:
Contemporâneo de Eça, Quental foi o espírito brilhante e indomável que liderou a promissora geração 70, impulsionando e dando corpo a múltiplas realizações como a fundação do Cenáculo, do Jornal A República, das Conferências do Casino...
No programa destas últimas, para além da oração inaugural, proferiu a célebre Conferência sobre «A causa da decadência dos povos peninsulares nos três últimos séculos» (texto argumentativo).
Exímio sonetista, Antero foi o poeta da contradição sofrida entre o sonho e a razão, considerando a poesia como "Voz da Revolução", como forma de alertar as
consciências para as desigualdades sociais e para os problemas da
humanidade.
Deixo-vos com um dos seus sonetos meus preferidos:
A um poeta
Surge et ambula!*
Tu que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno.
Acorda! É tempo! O sol, já alto e pleno
Afugentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares
Um mundo novo espera só um aceno...
Escuta! É a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! São canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!
Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!Antero de Quental
* «Ergue-te e caminha», palavras de S. Pedro dirigidas a um paralítico, em nome de Jesus Cristo (Actos dos Apóstolos, 3, 6).
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