Timidamente iniciadas no 10º ano, as experiências também têm passado de ano. Chegámos ao 12º!
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
«Dobrada à moda do Porto»
Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo ...
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).
Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
«Ode Marítima» no Martinho da Arcada
No aniversário da morte de Fernando Pessoa.
[...]
E ergue-me uma leve brisa marítima dentro de mim.
As vezes ela cantava a "Nau Catrineta":
Lá vai a Nau Catrineta
Por sobre as águas do mar ...
E outras vezes, numa melodia muito saudosa e tão medieval,
Era a "Bela Infanta"... Relembro, e a pobre velha voz ergue-se dentro de mim
E lembra-me que pouco me lembrei dela depois, e ela amava-me tanto!
Como fui ingrato para ela - e afinal que fiz eu da vida?
Era a "Bela Infanta"... Eu fechava os olhos, e ela cantava:
Estando a Bela Infanta
No seu Jardim assentada...
Eu abria um pouco os olhos e via a janela cheia de luar
E depois fechava os olhos outra vez, e em tudo isto era feliz.
Estando a Bela Infanta
No seu jardim assentada,
Seu pente de ouro na mão,
Seus cabelos penteava
Ó meu passado de infância, boneco que me partiram!
Não poder viajar pra o passado, para aquela casa e aquela afeição,
E ficar lá sempre, sempre criança e sempre contente!
[...]
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Lê o resto do poema aqui.
(Atualização da publicação às 19:50)
[...]
E ergue-me uma leve brisa marítima dentro de mim.
As vezes ela cantava a "Nau Catrineta":
Lá vai a Nau Catrineta
Por sobre as águas do mar ...
E outras vezes, numa melodia muito saudosa e tão medieval,
Era a "Bela Infanta"... Relembro, e a pobre velha voz ergue-se dentro de mim
E lembra-me que pouco me lembrei dela depois, e ela amava-me tanto!
Como fui ingrato para ela - e afinal que fiz eu da vida?
Era a "Bela Infanta"... Eu fechava os olhos, e ela cantava:
Estando a Bela Infanta
No seu Jardim assentada...
Eu abria um pouco os olhos e via a janela cheia de luar
E depois fechava os olhos outra vez, e em tudo isto era feliz.
Estando a Bela Infanta
No seu jardim assentada,
Seu pente de ouro na mão,
Seus cabelos penteava
Ó meu passado de infância, boneco que me partiram!
Não poder viajar pra o passado, para aquela casa e aquela afeição,
E ficar lá sempre, sempre criança e sempre contente!
[...]
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Lê o resto do poema aqui.
(Atualização da publicação às 19:50)
sábado, 12 de janeiro de 2013
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Feliz Natal!
Antes de fazer este poste, resolvi ir pesquisar o arquivo deste nosso blogue para ver o poste do ano passado.
Em vez da imagem fixa que estava para inserir, optei por repetir o vídeo do ano passado... a tecnologia ao serviço de boas causas parece-me ser a ideia a reter no mundo em que vivemos.
Feliz Natal!
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Obras de Fernando Pessoa
A blogosfera é uma fonte de partilha extraordinária!
O blogue «Do Ano Onze», incluído aqui ao lado no separador "Laços Blogosféricos", foi quem nos deu esta dica:
Aqui podem fazer o download gratuito de obras de Fernando Pessoa.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
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