quarta-feira, 13 de março de 2013

«O Mostrengo»

 Uma outra forma de abordar e divulgar a poesia de «Mensagem», pela Azeituna.


. .

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-rei D. João Segundo!»
 
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-rei D. João Segundo!»
 
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
D' El-rei D. João Segundo!»

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Portugal, rosto da velha Europa


« A Europa »
Lápis sobre papel,1943
José de Almada Negreiros (1873 - 1970 )
«O dos castelos»

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,

A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar sphyngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.


Fernando Pessoa, Mensagem


-------Registo áudio ------------


Eis aqui, quase cume da cabeça
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa
E onde Febo repousa no Oceano.
Este quis o Céu justo que floresça
Nas armas contra o torpe Mauritano,
Deitando-o de si fora; e lá na ardente
África estar quieto não o consente.

Esta é a ditosa pátria minha amada,
À qual se o Céu me dá que eu sem perigo
Torne com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz aqui comigo.
Esta foi Lusitânia, derivada
De Luso ou Lisa, que de Baco antigo
Filhos foram, parece, ou companheiros,
e nela então os íncolas primeiros.


Luís de Camões, Os Lusíadas (Canto Terceiro, estrofes 20 e 21)

__________________________________________________
Imagens daqui e daqui.
Mais informação sobre o poema de Pessoa aqui e aqui.
Sobre a Europa, preciosidades a colher aqui.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Grande Livro

Este é o episódio da série «Grandes Livros», da RTP2, sobre «Os Lusíadas», obra-prima da literatura nacional e universal.

Vale mesmo a pena ver!


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Grande Português

Luís Vaz de Camões, o poeta português que "por obras valerosas" se libertou da lei da morte. 

Merecia bem ter sido o maior português de sempre... (mas a memória deste povo é curta e deu o primeiro lugar a Salazar. Nhec!) Inacreditável!

 Vale a pena visionar este excelente documentário sobre a vida e a obra do épico luso, no que tem de verdade histórica e de lenda.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Percurso(s) Pessoano(s)

Ora aqui está parte do percurso que nos esperava na tarde de 14 de dezembro,... se a chuva andasse longe, o que não aconteceu. (Diacho de inverno!)

São vídeos da autoria de outros jovens, como vós.

E que tal seguirem-lhes o exemplo.